segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

UM CASO DE COMENSALISMO


Hoje eu estava pensando sobre algumas situações que já vivi e lembrei muito de uma criatura que cruzou o meu caminho há muito tempo. Lembrei-me desta pessoa porque ainda estava tentando entender o que aconteceu para que de repente eu me tornasse uma vilã, do tipo Nazareth Tedesco ou mesmo Flora Pereira da Silva.

No meio dos meus pensamentos vieram muitas palavras de indignação, injustiça, concorrência desleal, abuso de poder, medo de perder, enfim, muitas coisas me passaram pela cabeça, até que conclui que realmente a alma do ser humano é muito mais complexa do que qualquer equação matemática e que por isso, talvez hoje sejamos moçinhos e amanhã os piores bandidos, tudo dependendo do referencial psíquico de quem está nos olhando naquele momento.

É a única explicação que eu encontro para começar a ter a pretensão de entender fatos ocorridos. É fato também que é fácil contrariar terceiros com nossa simples presença, assim como nossos atos e palavras, não que estes sejam necessariamente ruins, mas por eles não terem saído dos neurônios do observador.

Longe de fazer apologia aos “coitadinhos”, quero apenas dizer que em diversas situações qualquer um pode ser vítima de pessoas mal-resolvidas, que jogam em cima de outras a culpa por todas as suas frustrações e falta de criatividade. E isso é muito pior quando acontece em uma relação de hierarquia profissional, ou seja, entre chefes e subordinados. Neste caso o único objetivo é minar a potencial e futura concorrência.

Agora, é bem verdade que os chefes não são sempre os monstros dessas histórias, existe também os colegas mal-resolvidos que estão por perto, rezando pra ver o circo pegar fogo entre o colega e o chefe e sabe por quê? Porque é assim que eles garantem sua sobrevivência profissional, com a ausência do outro, potencialmente mais preparado. E o mais asqueroso nisso, é quando ainda se fazem de amigos e preocupados com o bem-estar do “companheiro”, é nojento e vil.

Por conta disso, descobrir de tanto pensar, que existe dentro de algumas empresas uma relação de comensalismo entre chefes e subordinados ou mesmo entre simples colegas.
Essa relação é muito harmônica, pois ambos tiram proveito entre si, sem que haja agressões para as partes, em outras palavras, é permitido os abusos e excessos, desde que todos continuem a receber privilégios com isso. Exemplo: um chefe usa e abusa de seu subordinado, paga mal e não o reconhece profissionalmente, mas este subordinado aceita tudo, sem pestanejar, pois sabe que sem este chefe não seria possível alguns privilégios, afinal é bom lembrar que existe subordinado mal-resolvido também, que não tem competência para se garantir sozinho e que precisa “sugar” alguém, neste caso o chefe, que tem o prestígio, jamais alcançado por este subordinado, já que este é um peixe-piloto e o chefe o tubarão.

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