Foram cinco anos de luta, mas ontem, dia 20 de maio, minha família e eu recebemos uma das mais belas notícias dos últimos anos। O CRM-PA nos deu ganho de causa no processo que minha cunhada, Rita, está movendo contra a médica Lia Afonso.
Meu sobrinho, filho do meu irmão, que chamo carinhosamente de "Bibito", o nosso Gabriel, o anjo de nossas vidas. Ele é portador de necessidades especiais, muito especiais, causado, em nosso entendimento, por um erro da médica que comandava o parto de minha cunhada, pois mesmo depois de perceber que não havia condições de fazer um parto normal, a médica insistiu bastante nessa direção e quando percebeu que o coração do Gabriel não mais batia, resolveu, tardiamente, levar a Rita para uma mesa de cirurgia para uma cesariana. E neste período a criança ficou muito tempo sem oxigênio no cérebro e sofreu muito para vim ao mundo. A Rita não tinha condições de um parto normal por duas razões, que nos foram explicadas em "off" por duas médicas, a primeira era a idade, minha cunhada já tinha 35 anos e era o primeiro filho e a segunda é que a médica não avaliou a bacia da Rita, que por ter estatura pequena, talvez não tivesse a dilatação suficiente para um parto normal.
Bem, o nosso pequeno "anjo", que precisou ser reanimado e logo entubado, foi direto para UTI, onde ficou uns vinte dias, dos mais de sessenta que ficou no hospital.
Ontem, o CRM-PA, em um decisão mais do que acertada, reconheceu a culpa da médica e a condenou em vários artigos do código de ética médico, dos quais eu não saberia dizer aqui hoje, mas assim que nós recebermos eu os detalho com alegria um por um.
Sabemos que nada vai trazer a normalidade para a vida de nosso Gabriel, nada. Porém, acreditamos que é possível sim se fazer justiça neste país, ainda que não tenhamos "posses", como diria uma "amiga".
Ficamos muito felizes, pois vimos que ainda existe indignação por parte de alguns juris, o nosso CRM comprovou isso ontem. Sei que esse texto não vai chegar a ir muito longe, mas quero mesmo assim agradecer aos 10 profissionais que deram ganho de causa a minha família, ao meu "Bibito". Quero de dizer aos outros 6 que apoiaram a médica, acreditando que ela cometeu apenas um erro comum a qualquer profissional, que não existe esse "erro comum" na medicina, pois na vida de um paciente isso pode significar a morte e isso não é comum. Mas de qualquer forma peço, em nome de toda a minha família, que os senhores nunca encontrem em seus caminhos ou que os senhores nunca sejam para ninguém, um instrumento destes erros comuns.
Luciana Hage
Relações Públicas
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