Neste fim de semana fui convidada, por uma grande amiga, a participar de um encontro, promovido por um grupo da renovação carismática, o qual ela faz parte.
Eu admiro as pessoas que se dedicam aos cuidados da alma, que pregam e falam com sabedoria sobre a palavra de Deus, independente do credo, pois acredito que somente os que se dedicam verdadeiramente aos ensinamentos do Pai tem uma boa parte da
"salvação" garantida e isso, na minha opinião nada tem a ver com a religião que se segue, tem a ver com o amor que cada um trás no coração.
Aceitei o convite da minha amiga, que eu amo muito, mas sabia que eu teria grandes chances de não gostar muito do evento, pois a renovação carismática é muito conhecida pelas "performances" em suas celebrações. Fui assim mesmo, pois acreditei que poderia ser diferente e de repente, quem sabe, eu mudaria o meu conceito.
Não me surpeendi com nada, foi tudo do jeito que eu achei que fosse, muito barulho, todos gritando ao mesmo tempo, uns cantavam, outros faziam seus pedidos, outros louvavam, outros falavam em linguas. Era uma verdadeira "torre de Babel". Fiquei extremanente perturbada, com muita dor de cabeça. Não deu nem pra eu me concentrar e fazer as minhas orações.
Me considero uma pessoa, que apesar dos poucos conhecimentos sobre a bíblia, tenho muita fé na presença de Deus em minha vida, acredito que não há ligação mais poderosa com Deus do que as nossas orações, aquelas que fazemos intimamente, contemplando a beleza da vida e da natureza. Não há necessidade de gritar para louvar, não há necessidade de falar palavras dificeis para que Deus nos ouça.
Posso está errada, e por isso acertarei minhas contas quando deixar este mundo, se eu estiver de fasto equivocada, mas não me vejo fazendo cenas de fanatismo religioso, gritando, gemendo e caindo no chão, num verdadeiro espetáculo espiritual. Não me permito ser perburbada por forças que eu não conheço e das quais acredito que não são divinas.
Prefiro meditar, refletir sobre minhas ações e contenplar a Deus em uma cerimônia de paz, de sossego espitritual, onde seja possível ouvir os sussuros dos anjos em meus ouvidos. A ligação entre a criatura e seu criador, pra mim, deve ser silenciosa e harmoniosa, para que ambos sitam suas presenças e se toquem, num verdadeiro encontro.
Só pra se ter idéia, ouvi cada barbaridade, vinda de uma senhora religiosa da Canção Nova, que fiquei de cabelo em pé. A mulher sabia os nomes de todas as entidades do Candoblé, da Macumba e afins. Ela dizia os nomes no momento em que deveríamos está contemplando o corpo de Cristo que se fazia presente no ostensório. Achei de uma falta de respeito muito grande, principalmente vindo de quem veio. Falar de coisas, que consideramos ruins, em um momento tão glorioso, é no mínimo falta de respeito com o sentimento de quem está em um lugar para ser abençoado e não para ser exorcisado.
Lú Hage